Relexões

Este texto chegou a mim atravéz de postagem na internet há muitos anos atrás. Guardei como um texto para reflexão e hoje disponibilizo a voces. O autor, desconheço.

APRENDA A ESCREVER NA AREIA

Dois amigos, Mussa e Nagib, viajavam pelas extensas estradas, que circulam as tristes e sombrias montanhas da Pérsia (atual Iraque). Ambos se faziam acompanhar de seus ajudantes, servos e caravaneiros.

Chegaram certa manhã, às margens de um grande rio barrento e impetuoso, em cujo seio, a morte espreitava os mais afoitos e temerários. Era preciso transpor a corrente ameaçadora. Ao saltar de uma pear o jovem Mussa foi infeliz, falseando o pé, precipitou-se no torvelinho espumante das águas em revolta. Teria ali parecido, arrastado para as águas do abismo, se não fosse Nagib. Este, sem um instante de hesitação atirou-se à correnteza e, lutando furiosamente, conseguiu trazer a salvo o companheiro de jornada.

Que fez Mussa? Chamou, no mesmo instante um dos seus mais hábeis servos e ordenou-lhe que gravasse na face mais lisa de uma grande pedra, que perto se erguia , esta legenda admirável:

“Viajante neste lugar, durante uma jornada, Nagib salvou heroicamente  seu amigo Mussa”. Isso feito prosseguiram com suas caravanas, pelos intérminos  caminhos de Allah.

Alguns meses depois, de regresso às terras, novamente se viram forçados a atravessar o mesmo rio, naquele mesmo lugar perigoso e trágico e, como se sentissem fatigados, resolveram repousar algumas horas à sombra acolhedora da laje, que ostentava bem no alto a honrosa inscrição.

Sentados na areia clara puseram-se a conversar. Eis que por um motivo fútil, surge, de repente, grande desavença entre os dois companheiros. Discordaram, discutiram e Nagib, exaltado, num ímpeto de cólera, esbofeteou brutalmente o amigo.

Que fez Mussa? Que farias tu em seu lugar? Mussa não revidou a ofensa. Ergueu-se e tomando tranquilo o seu bastão, escreveu na areia clara, ao pé do negro rochedo:

“Viajante neste luga, durante uma jornada, Nagib por motivo fútil injuriou gravemente o seu amigo Mussa”.

Surpreendido com o estranho proceder, um dos ajudantes de Mussa observou respeitoso:

– Senhor! da primeira vez, para exaltar a abnegação de Nagib mandaste gravar na pedra , para sempre, o feito heróico. E agora que ele acaba de ofender-vos tão gravemente, vos limitais a escrever na areia incerta, o ato de covardia!. A primeira legenda, ficará para sempre. Todos os que transitarem por este sítio dela terão notícia. Esta outra, porém,  riscada no tapete de areia, antes do cair da tarde , terá desaparecido como um traço de espuma entre ondas buliçosas do mar.

Respondeu Mussa:

É que o benefício que recebi de Nagib permanecerá para sempre em meu coração, mas a injuria…essa negra injuria… escrevo-a na areia com um voto para que sempre se apague e desapareça mais depressa das areias e de minha lembrança.

Assim é, meu amigo! Aprende a gravar na pedra, os favores que receberes, os benefícios que te fizeram, as palavras de carinho, simpatia e estímulo que ouvires. Aprende porem, a escrever na areia, as injurias, as ingratidões, as perfídias e as ironias que te ferirem, pela estrada agreste da vida. Aprende a gravar assim na pedra, aprende a escrever assim na areia… e serás feliz!